31 de maio de 2011

Simpósio na XII ABRALIC

Durante os dias 18 e 22 de Julho, em Curitiba, ocorrerá a Abralic, na qual estaremos com o simpósio abaixo:




Informação extraída de:


LITERATURA E DRAMATURGIA: ENTRE O PALCO E A ACADEMIA

Coordenadores: 
Profa. Dra. SUZI FRANKL SPERBER (UNICAMP)
Profa. Dra. SANDRA LUNA (UFPB)
Prof. Dr. RENATO FERRACINI (UNICAMP-LUME)


No âmbito dos estudos literários realizados em universidades brasileiras, a dramaturgia apresenta-se, notadamente, como uma das áreas menos investigadas, seja pelos profissionais das Letras, ou pelos estudiosos do Teatro. Os motivos para esse relativo esquecimento do drama no contexto desses cursos universitários não são difíceis de identificar: gênero fronteiriço, texto escrito para a cena, o drama parece, sob a perspectiva das Letras, contaminado por uma concretude cênica que escapa a uma investigação estritamente literária, em oposição a gêneros poéticos ou narrativos, que têm merecido maior atenção por parte da crítica, da teoria e da historiografia, sobretudo no contexto brasileiro, onde a dramaturgia não se constitui como pilastra da tradição literária. Do ponto de vista dos estudos teatrais, o drama também se revela obscurecido, por motivos opostos, por apresentar-se como uma área excessivamente literária, poética, sobretudo considerando-se que a própria tradição teatral no século XX priorizou o espetáculo, concedendo especial atenção aos recursos cênicos, à arte e ao corpo do ator, valorizando aspectos que hoje consubstanciam pontos centrais na formação dos profissionais do teatro. 



o são difíceis de entrever as dificuldades de fomentar estudos sobre Dramaturgia em instituições que aquartelam saberes em departamentos distintos. Desde as suas origens, o drama habita espaços movediços. Para além da imediata associação entre dramaturgia e teatro, cujos elementos constitutivos apontam para outras artes, aí incluídas a retórica, a música, a dança, a cenografia, a arte do ator, já Aristóteles proclamava no drama a proeminência da “ação”, inaugurando uma longa tradição de investigação teórico-filosófica.  Na Antigüidade Latina, o drama colocar-se-ia a serviço da retórica, produzindo novos cenários nos quais se vislumbrava majestosamente o espetáculo da palavra. No Renascimento, entretanto, esse prestígio do drama enquanto arte literária parece arrefecer: Shakespeare, já aclamado dramaturgo, proclamou seu livro de sonetos como “o primeiro herdeiro” de sua invenção, suas peças não sendo então consideradas poéticas, literárias, mas, sim, teatrais. O neo-classicismo francês, contudo, entronizaria a arte dramática em seu duplo aspecto, literatura nobre para um teatro da realeza. Não tardaria muito e os românticos trariam o drama para a arena política, fazendo no teatro a revolução liberal, banindo dos palcos trágicos os reis e os nobres, transformando em heróis os homens comuns, gesto de libertação definitiva, não apenas do drama, mas da literatura e das demais artes, que, a partir de então, jamais seriam submetidas a dogmas inflexíveis, a leis imutáveis. Ao final do século XIX, o realismo selaria o pacto do drama romântico com a liberdade criativa, abrindo caminhos para as novas tendências que caracterizariam as artes no século seguinte: o drama, lugar de encontro de vários saberes, passará a ser também lugar de experimentação de outras artes e de outras formas de conhecimento, ganhando especial relevo a encenação e a pesquisa sobre o corpo do ator. Em suma, arte plural, essegênero literário, que consubstancia parte significativa das artes do espetáculo, reelabora suas próprias formas no teatro do tempo, a história do drama tendo muito a nos contar sobre a nossa própria civilização.

Não surpreende que uma forma artística com tantos portais de acesso somente com dificuldades encontre lugares institucionais que possam assumir a inter- a multi- e a transdiciplinaridade que a constituem. Somente o atual acolhimento à pluralidade de discursos no âmbito da academia poderia descortinar o drama como um dos mais sedutores domínios investigativos, e isso em relação a várias áreas do conhecimento. Assim, desafiando as tendências do século passado, as últimas décadas começam a vislumbrar novos e promissores cenários para a investigação e o ensino da Dramaturgia, que passou a receber atenção inconteste no universo acadêmico.

Curiosamente, enquanto a academia se abre cada vez mais para os estudos e pesquisas sobre o drama, o próprio teatro vivencia o chamado momento pós-dramático. Considerando, por um lado, a tradição milenar que no ocidente posicionou o drama no centro das artes do espetáculo, por outro, os novos focos de investigação sobre o dramático surgidos na contemporaneidade, propomos este simpósio como espaço privilegiado para reflexões sobre o atual momento nesses dois cenários – o palco e a academia, confrontando estudos sobre o universo dramático, em seu domínio literário, em suas relações com outras artes e outros saberes, acrescentando, agora, como tema para debate, tanto o distanciamento da arte teatral do paradigma do drama, da construção da ilusão, como a estética da presença. Especialmente, esperamos poder debater a utilização da memória singular ou coletiva de grupo - enquanto potencializadora de criação de ações-matrizes físico-vocais no contexto poético de criação ficcional e espetacular – que passa pela possível ativação conjunta de microações, microafetos e micropercepções acionada por essas mesmas memórias.


26 de maio de 2011

Tabu e tragédia na dramaturgia e cinema norte-americanos do séc. XX

MINICURSO

Tabu e tragédia na dramaturgia e cinema norte-americanos do séc. XX
Ministrantes: Sandra Luna (UFPB) e Suzi Frankl Sperber (IEL-UNICAMP)

26 de abril de 2011
1.Eugene O’Neill (1988- 1953):
9h-10h30 - Apresentação teórica ou histórica: O eterno retorno dos mitos: releituras modernas de tragédias clássicas O desejo e a lei em Mourning Becomes Electra (O luto assenta em Electra)
Intervalo para café
11h-12h30 - apresentação/debate da leitura crítico-interpretativa da peça Mourning Becomes Electra (O luto assenta em Electra).

2.Tennessee Williams (1911- 1983):
14h-15h30 - Apresentação teórica ou histórica: Temas tabu no pós-guerra americano: a crueldade, a loucura, a sexualidade, o alcoolismo e as coações sociais" em The Night of the Iguana e em A Streetcar Named Desire.
Intervalo para café
16h-17h30 - apresentação/debate da leitura crítico-interpretativa das peças The Night of the Iguana e em A Streetcar Named Desire.

FILME
19h: Apresentação do filme A Streetcar Named Desire. Dirigido p/ Elia Kazan.
Estrelando Vivien Leigh, Marlon Brando, Kim Hunter.




27 de abril de 2011
3.Arthur Miller (1915-2005):
9h-0h30 - Apresentação teórica ou histórica: O heroísmo trágico no drama moderno.
Da morte do desejo ao desejo de morte: política e religiosidade em The Crucible (As Bruxas de Salém)
Intervalo para café
11h-12h30 - apresentação/debate da leitura crítico-interpretativa da peça The Crucible (As Bruxas de Salém).

4.Sam Shepard (1943-):
14h-15h30 - Apresentação teórica ou histórica: Tema: Eros indômito: o consentimento da perdição na tradição dramática
- Tabu e tragédia: incesto insepulto em Buried Child (Criança Enterrada)
- Fool for Love (Loucos por amar) e o drama do querer o que não se quer
Intervalo para café
16hs-17h30 - apresentação/debate da leitura crítico-interpretativa das peças Buried Child (Criança Enterrada) e Fool for Love (Loucos por amar)
FILME:
19hs - Apresentação do filme As Bruxas de Salem (The Crucible). Direção: Nicholas Hytner. Atores: Daniel Day-Lewis, Winona Ryder, Paul Scofield, Bruce Davison.

Evento ocorrido durante os dias 26 e 27 de Abril de 2011 na Sala de Sarau da Biblioteca do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

Folder do Evento:
Atenção: Este post diz respeito a um evento já ocorrido.

6 de maio de 2011

Linhas de Pesquisa

  • Drama e Teatro
  • Dramaticidade e Tragicidade na Literatura e no Cinema
  • Dramaturgia e Cinema
  • Dramaturgia e Sacralidade
  • Literatura, drama e criação
  • Teatro Brasileiro
  • Teoria, História e Crítica do Drama
  • Traduções de Textos Dramáticos

Composição

Pesquisadores
Clique no nome para visualizar o Currículo Lattes de cada integrante.

Sobre o Círculo

O grupo tem tido importância fundamental na consolidação de estudos e pesquisas sobre Dramaturgia em nível de graduação e de pós-graduação em Letras e Artes Cênicas nas universidades envolvidas. Em decorrência da atuação do grupo, criado em 2005, várias pesquisas foram concluídas e, no momento, várias outras estão em andamento sob orientação das líderes. Em 2008, a Profa. Dra. Sandra Luna, juntamente com a Profa. Dra. Suzi Frankl Sperber, do Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP e diretora do LUME, organizaram um Seminário sobre Dramaturgia no XI Congresso Internacional da ABRALIC. A partir desse encontro, o grupo foi ampliado, passando a trabalhar em rede, incorporando a Profa. Suzi Sperber como segundo líder e os alunos da UNICAMP sob sua orientação como participantes deste Círculo. Em 2009, três orientandos do grupo tornaram-se professores efetivos de universidade públicas federais, passando a pesquisadores. Em dezembro de 2009, na UNICAMP, as duas líderes do grupo lançaram os livros Ficção e Razão (Suzi Sperber, HUCITEC) e Dramaturgia e Cinema: Ação e Adaptação nos trilhos de Um Bonde Chamado Desejo (Sandra Luna, Ideia). Em 2010, as líderes, associadas à Profa. Dra. Lúcia Sander (UNB), organizaram o Simpósio Drama em cena, Drama em tela: a literatura nas artes do espetáculo, na UFGD-MS. Em julho de 2010, as líderes encontraram-se mais uma vez no GT Literatura e Sagrado na ANPOLL.Em outubro, o Grupo realizou na UFPB o I Simpósio Interinstitucional de Estudos Avançados em Dramaturgia, com o apoio do Programa de Pós-Graduação em Letras(UFPB) e do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas(UFRN).No momento, Sandra Luna e Alex Beigui estão em fase de preparação da próxima edição da revista Graphos - da Pós-Graduação em Letras (UFPB) com um dossiê especialmente dedicado ao tema Dramatologia. Em 2011, são metas do grupo a criação de um site para hospedar sua produção, assim como a realização de um evento de caráter nacional.